Até que as Teresas se arrebentem: análise crítica sobre violência de gênero e adoecimento mental de mulheres trabalhadoras e custodiadas do sistema prisional mineiro.
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Resumo
Este ensaio analisa a saúde mental de mulheres trabalhadoras e custodiadas no Sistema Prisional Brasileiro, a partir da perspectiva de gênero e dos mecanismos de violência institucional que atravessam esses corpos. A tese central sustenta que o sistema prisional, estruturado sob uma lógica machista e misógina, adoece simultaneamente as mulheres que cumprem pena e aquelas que exercem funções profissionais em seu interior, por meio de processos sistemáticos de silenciamento, subalternização e desumanização. O método adotado é o ensaio: uma escrita que tece experiência profissional de 14 anos como psicóloga prisional com literatura científica, marcos normativos internacionais e referencial teórico das ciências sociais, da psicologia e dos estudos de gênero. Os achados indicam que: a violência de gênero opera como fio condutor do adoecimento psíquico tanto de trabalhadoras quanto de custodiadas; a LEP, as Regras de Bangkok e a PNAMPE permanecem como instrumentos formais sem efetividade prática; o modelo newtoniano cartesiano que organiza o trabalho em saúde inviabiliza o cuidado subjetivo; e a ausência de perspectivas, aliada ao isolamento e à negação de direitos, empurra mulheres encarceradas a estados extremos de sofrimento, incluindo o suicídio. O texto compreende que resistir, nesse contexto, é um ato político e existencial que demanda a reafirmação cotidiana dos valores ético-profissionais diante de uma estrutura que os nega.
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