Sentidos do trabalho na APS
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ESP-MG
Resumo
Este Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Saúde Pública utilizou o método de revisão integrativa da literatura nacional, e realizou uma síntese do conhecimento e compreensão dos diferentes conceitos encontrados sobre os sentidos que, profissionais de diferentes categorias da Atenção Primária à Saúde (APS), atribuem ao seu trabalho. A análise dos sentidos atribuídos ao trabalho, encontrados nas pesquisas, se baseou no referencial teórico da Escola Sociotécnica, por meio dos estudos de Eric Trist do Instituto Tavistock de Londres e outros colegas, como Hackman e Oldhan (1975), sobre a insatisfação de trabalhadores do setor de mineração do Reino Unido, além dos estudos de Morin (2002). Todas as pesquisas apontaram que o trabalho na APS é capaz de proporcionar ao trabalhador: aprendizagem contínua e crescimento pessoal, sensação de prazer, identificação com todo o processo de trabalho, de modo que o trabalhador perceba sua importância, a construção de relações interpessoais satisfatórias, reconhecimento e apoio dos pares, e sentimento de contribuição social, de utilidade do resultado de um trabalho moralmente aceitável, justo e responsável. Porém, a construção desses sentidos perpassa a interrelação pessoal do trabalhador com a sua função, com os pares e a população. Por parte da organização, foi unânime que o trabalho na APS permite um futuro desejável, segurança de um salário digno e não permite o ócio. Porém, foi comum em todas as pesquisas, exceto a que pesquisou uma categoria que ocupa uma posição hierárquica de liderança (gerentes) frente às outras categorias profissionais pesquisadas, que o trabalho na APS não proporciona os sentidos
apontados por Morin(2002) por parte da organização: possibilidade de exercer o livre-arbítrio, desenvolver competências, acompanhar a evolução do desempenho, ressignificar as práticas e
modificar a forma particular de lidar com as dificuldades. Essas lacunas identificadas por meio dessa pesquisa, aponta para a deficiência de processos de desenvolvimento do trabalhador que lhe garantam sentidos estruturantes, como: o aprimoramento da variedade e diversidade de habilidades e competências, promovendo desafios associados à uma rotina de feedback sobre os resultados das atividades executadas, possibilitando os ajustes necessários para alcançar os objetivos do desempenho traçado; falta de autonomia do trabalhador na coordenação das suas atividades e nas decisões sobre os processos de trabalho. Este estudo aponta que a organizaçao e gestão da APS devem investir em estratégias de Educação Permanente e promoção de autonomia do trabalhador, através da criação de espaços de discussão coletiva, para construção conjunta de soluções para o processo de trabalho e assistencial.
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